Los identificadores de los grandes árboles en la Amazonia se están jubilando. Sin ellos será aún más difícil y cara la investigación.
La identificación de un árbol comienza con el olor. "Cada especie tiene un olor. Usted nunca olvidará el olor de la madera de la brea que es ampliamente utilizado para hacer perfumes ", dijo Carlito, apuntando a un árbol a 100 metros del camino por el que transitamos. "Para entender el bosque, hay que utilizar los cinco sentidos". Carlito llega a masticar los pequeños pedazos de madera cortadas de los registros con su machete. "Algunas especies se diferencian por el sabor amargo o dulce de su savia", dice.
Muchos identificadores son famosos por escalar árboles. Carlito sube hasta 40 metros de altura con solo una correa de apoyo adjunta a los pies. Proveniente de la región natural de la frontera de Pará con los Territorios del Noroeste, el primer trabajo de Carlito fue en el Museo Emilio Goeldi. "Yo estaba contratado por el Profesor John Murça Pires, uno de los padres de la botánica en el Amazonas. Fue él quien me alentó a estudiar ", dice. Lo importante de la escalada en el dosel de los árboles es recoger las hojas. Ellos son la parte más importante de la identificación. "Es la clave para descifrar un árbol."
Las hojas que pueden tomar Carlito con el elástico están etiquetadas y almacenadas en una bolsa de plástico. Ellas se van a llevar al laboratorio del Museo Goeldi. La descripción hecha por los identificadores está marcada por los botánicos. Las dudas acerca de las especies y subespecies son evaluadas por especialistas. En la mayoría de los casos, estos botánicos crean sólo unas pocas familias. El entendimiento general de los bosques es un talento de los identificadores.
Las expediciones científicas en la región amazónica son costosas. Dos semanas en el bosque puede costar hasta $ 20 mil. "Con los identificadores, es más rápido para hacer el levantamiento de la zona. Esto ahorra tiempo y dinero ", dice Edson Vidal, un investigador en la gestión forestal de la Escuela Superior de Agricultura Luiz de Queiroz de la Universidad de São Paulo (ESALQ / USP).
La presencia de un parabotânico en una búsqueda también ayuda a la publicación internacional. En revistas científicas tales como la Naturaleza y la Ciencia se requiere garantizar la correcta identificación de los árboles. "Tener un renombrado parabotânico ayuda a dar más credibilidad al trabajo. Esto abre las puertas para una búsqueda", dice Vidal.
Carlito tiene una asociación de más de tres décadas con el ingeniero forestal Sergio Antonio Lima da Silva, conocido como Serginho. Mientras trabajan en el bosque, Carlito y Serginho hablan poco. El silencio sólo es interrumpido por la segunda vuelta de los nombres en latín, o cuando se enfrentan con algunos árboles especiales. Es el ingeniero forestal que tiene conocimiento del papel del parabotânico.
Carlito quiere jubilarse el próximo año. Hay todavía un nombre para sustituirlo en el Museo Goeldi. La solución sería la creación de una escuela de parabotânica. Sentado en un tronco de árbol, Carlito habla sobre el sueño de hacer un camino para los identificadores. "Quiero enseñar mi profesión a los jóvenes", dice. "Idealmente para los hijos de personas de dentro o limítrofes de la selva. Estas personas son más fáciles de trabajar en el bosque porque tienen un conocimiento tradicional de la región".
El curso diseñado por Carlito fue diseñado en asociación con el ingeniero forestal Serginho. "En un año tendríamos las personas capaces de controlar cualquier equipo de investigación", dice. Después permanece en silencio, elevar el tronco y la espalda caminando en el bosque. Después de pasar por un arroyo, apunta la ubicación del lugar donde estaban sentados. "Me gusta, aunque todavía tienen que enseñar en la práctica de la salud todo lo que sabemos acerca de estos bosques. Si demasiado larga, me acaban igual que la nuez. Volcó en el bosque”.
Os últimos tradutores da floresta
Os grandes identificadores de árvores da Amazônia estão se aposentando. Sem eles, fica ainda mais difícil – e caro – fazer pesquisas
Para os olhos desavisados que o acompanham pela mata, as flores e os cipós caídos na trilha são apenas imagens de uma bela paisagem. Para Carlito, essas são peças de um quebra-cabeça que vai definir o nome da árvore que ele precisa identificar. Com os olhos fixos na casca vermelha de um tronco, ele mexe na folhagem do chão, tira um facão da cintura e faz um talho na planta. Depois, cheira o pedaço de madeira. Nomes em latim começam a ser ditados. Pinophyta, Pinaceae e Cedrella. Quando questionado sobre uma possível tradução para o falatório científico, ele responde com um sorriso entre os lábios: “Encontramos um cedro, o rei da floresta”.
Carlito é um dos últimos identificadores de árvores do país. O nome oficial de sua profissão é parabotânico. Ele não gosta de ser confundido com um mateiro, pessoa contratada para abrir trilhas. “Minha tarefa não é guiar na floresta, e sim reconhecer as árvores”, diz. Sem os parabotânicos, as pesquisas na Amazônia ficam comprometidas. “É muito difícil estudar a vegetação da floresta sem um identificador”, afirma Regina Célia Lobatto, especialista em taxonomia do Museu Emílio Goeldi. “É claro que um botânico pode fazer o trabalho, mas leva três vezes mais tempo. E, se os pesquisadores demorarem muito em campo identificando árvores, os estudos de laboratório param.”
Um parabotânico experiente pode até participar de uma publicação científica. “Os identificadores são a junção do conhecimento das populações tradicionais com a metodologia acadêmica”, diz Paulo Barreto, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Eles conseguem, por meio de suas técnicas de identificação, separar as plantas por família e gênero. Alguns até classificam as espécies. Uma tarefa para poucos. “Em
A identificação de uma árvore começa pelo olfato. “Cada espécie tem um cheiro. Você nunca vai esquecer do aroma da madeira do breu, muito usada para fabricar perfumes”, afirma Carlito, apontando para uma árvore a
Muitos identificadores famosos começaram como escaladores de árvores. Eles subiam até
As folhas que Carlito consegue derrubar com o elástico são etiquetadas e guardadas em um saco plástico. Elas vão ser levadas para o laboratório do Museu Goeldi. A descrição feita pelos identificadores é checada por botânicos. As dúvidas sobre espécie e subespécie são avaliadas por especialistas. Na maioria dos casos, esses botânicos entendem apenas de algumas famílias específicas. O conhecimento geral sobre a floresta é um talento dos identificadores.
As expedições científicas na Amazônia são caras. Duas semanas na mata podem custar até R$ 20 mil. “Com os identificadores, fica mais rápido fazer o levantamento da área. Isso economiza tempo e dinheiro”, afirma Edson Vidal, pesquisador de manejo florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).
A presença de um parabotânico em uma pesquisa também ajuda na publicação internacional. Revistas científicas, como Nature e Science, exigem a garantia da identificação correta das árvores. “Ter um parabotânico renomado ajuda a dar mais credibilidade ao trabalho. Isso abre portas para uma pesquisa”, afirma Vidal.
Carlito possui uma parceria de mais de três décadas com o engenheiro florestal Antônio Sérgio Lima da Silva, conhecido como Serginho. Enquanto trabalham na floresta, Carlito e Serginho conversam pouco. O silêncio só é interrompido pela enxurrada de nomes em latim, quando deparam com alguma árvore especial. É o engenheiro florestal quem passa para o papel o conhecimento do parabotânico. A dupla participou de grandes projetos da Amazônia, como a construção da hidrelétrica de Tucuruí, a implantação da mineradora Vale do Rio Doce na Floresta Nacional de Carajás e a análise para a exploração comercial da flora amazônica da empresa de cosméticos Natura. “Foram muitas aventuras. Uma vez naufragamos no Rio Xingu com pesquisadores gringos. Ficamos 15 dias em uma ilha comendo manga com farinha molhada”, diz Serginho.
Apesar da importância científica, a profissão de identificador pode acabar. O número desses profissionais é cada vez menor nas instituições de pesquisa da Amazônia. “Acredito que não deva existir mais de dez parabotânicos em toda a região”, diz Barreto, do Imazon. Um dos principais obstáculos para a formação de novos identificadores é a ausência de treinamento. A grande maioria dos parabotânicos que atuam na floresta foi formada há mais de 30 anos. Eles aprenderam a classificar as árvores com os grandes pesquisadores que passaram pela Amazônia, como João Murça Pires, Graziela Barroso e Christopher Uhl, precursores da geração de botânicos e engenheiros florestais de hoje. “Alguns técnicos estão tentando aprender a identificar, mas falta uma orientação científica”, diz Carlito. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) promove cursos de até uma semana para formar parabotânicos. “A idéia é boa, mas é muito pouco tempo para aprender tudo sobre a floresta”, afirma Vidal, da Esalq.
Carlito pretende se aposentar no próximo ano. Não há ainda um nome para substituí-lo no Museu Goeldi. A solução seria a criação de uma escola de parabotânica. Sentado em um tronco de árvore, Carlito fala sobre o sonho de fazer um curso para identificadores. “Quero ensinar minha profissão para os jovens”, diz. “De preferência, filhos de ribeirinhos ou gente do interior da floresta. Essas pessoas possuem mais facilidade para trabalhar na mata, pois já têm um conhecimento tradicional da região.”
O curso idealizado por Carlito foi desenhado em parceria com o engenheiro florestal Serginho. “Em um ano teríamos pessoas aptas para acompanhar qualquer equipe de pesquisa”, afirma. Depois fica em silêncio, levanta do tronco e volta a caminhar na floresta. Após passar por um córrego, ele aponta para o local onde estava sentado. “Preciso aproveitar enquanto ainda tenho saúde para ensinar na prática tudo o que sei sobre estas matas. Se demorar muito, vou acabar como aquela castanheira. Tombado na floresta.” O projeto da escola de parabotânicos está pronto há mais de dez anos. Carlito e Serginho ainda não encontraram um patrocinador para a idéia. “Se eles conseguirem fazer essa escola, vão salvar mais uma espécie em extinção da Amazônia, a dos identificadores de árvores”, diz Edson Vidal, da Esalq.
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