sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Fiscalização apreende arraia amazônica que iria para a Malásia


Peixe tinha tamanho maior que o permitido por lei. 

Arraia-xingu é apreciada por aquaristas.

Uma espécie de arraia-xingu – também conhecida como arraia-bola-branca – foi apreendida pelo Ibama no aeroporto de Belém na última quarta-feira (4). Ela seria exportada para a capital da Malásia, Kuala Lampur, e foi confiscada porque tinha um tamanho maior que o permitido por lei para a comercialização. 

Tamanho máximo permitido para a venda da arraia-xingu é de 30 cm de diâmetro. Como o animal tinha cinco centímetros a mais, foi apreendido pelo Ibama e empresa exportadora foi multada em R$ 3.020. Comum dos rios da região amazônica, peixe é apreciado por aquaristas.

 

Fonte: www.globoamazonia.com

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fotógrafo registra bastidores de protesto do Greenpeace em reserva no PA


Veja galeria de fotos da ação em Porto de Moz.

Ativistas viajavam pelo Rio Amazonas no barco Arctic Sunrise.

O barco Arctic Sunrise da ONG Greenpeace (que tem um blog no Globo Amazônia), está no Brasil cumprindo o percurso entre Manaus (AM) e Santos (SP) para chamar atenção para a urgência de se conter o aquecimento global.

No primeiro trecho da viagem, no Rio Amazonas, a caminho de Belém, onde o barco ficou aberto a visitação durante o Fórum Social Mundial (leia reportagem), os ativistas pararam em Porto de Moz, no Pará, para fazer um protesto, no dia 18, contra o avanço da pecuária numa reserva extrativista.

Rodrigo Baleia, fotógrafo que acompanha as ações do Greenpeace e já concedeu entrevista sobre seu trabalho ao Globo Amazônia (leia a entrevista), estava lá e documentou a ação dos ativistas, que inflaram o boneco de um boi em uma área desmatada. “Os comunitários (moradores locais) também participaram”, conta. Clique aqui para ver a galeria de fotos com os bastidores do protesto


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Desafiando o Rio-Mar: Golfinhos da Amazônia


"Há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam!"

(Henry Ford)

Por Hiram Reis e Silva – Manaus (30 de Janeiro de 2009)

- Introdução

Durante nossa viagem pelo Solimões, fizemos várias referências a esses seres fantásticos e carismáticos que são os golfinhos de rio: o boto e o tucuxi. Considerados os animais aquáticos mais inteligentes da Amazônia, despertaram a curiosidade e a imaginação das populações ribeirinhas desde que travaram seu primeiro contato com os humanos.

Com a indicação e contatos feitos pela pesquisadora Vera F. da Silva, obtivemos a colaboração da equipe do IDSM e a oportunidade de, durante 10 dias, observar o trabalho de pesquisadores e desfrutar das belezas naturais da paradisíaca Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDS Mamirauá).

A doutora Vera é especialista em mamíferos aquáticos amazônicos, bióloga, pesquisadora e chefe do laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), tem mais de 25 anos de experiência com golfinhos Amazônicos e coordena o Projeto Boto na RDS Mamirauá há 15 anos. Dia 29 de janeiro fomos até o INPA agradecer à amiga Vera sua colaboração e, na oportunidade, ela nos presenteou com um livro de sua autoria 'Golfinhos da Amazônia'. Em agradecimento à querida amiga e em reconhecimento a estas criaturas fantásticas que tivemos a oportunidade de conhecer, escrevemos o presente artigo.

- Lenda do Boto (Altino Berthier Brasil)

"Conta a lenda que o boto encontrado nos rios da Amazônia, se transforma em um belo e elegante rapaz durante a noite, quando sai das águas à conquista das moças. Elas não resistem à sua beleza e simpatia e caem de amores por ele. O Boto também é considerado protetor das mulheres, pois quando ocorre algum naufrágio em uma embarcação em que o boto esteja por perto, ele salva a vida delas, empurrando-as para as margens dos rios. As mulheres são conquistadas pelo boto quando vão tomar banho ou mesmo nas festas realizadas nas cidades ribeirinhas. Os Botos vão aos bailes e dançam alegremente com elas, que logo se envolvem com seus galanteios e não desconfiam de nada. Apaixonam-se e engravidam deste rapaz. É por esta razão que ao Boto é atribuída a paternidade de todos os filhos de mães solteiras.

Reza a lenda que o boto costuma perseguir as mulheres que viajam pelos rios e inúmeros igarapés; às vezes, tenta virar a canoa em que elas se encontram e suas investidas contra a embarcação se acentuam quando percebem que há mulheres menstruadas ou mesmo grávidas. Esse particular é curioso, e devemos observar que, em relação à mulher menstruada, há uma série de alusões e tabus, que realmente servem de vetor para certas atitudes e crenças populares. Algumas pessoas confessaram temer viajar nos pequenos 'cascos' ou 'montarias', quando nelas está uma mulher 'incomodada'.

O boto é o grande encantado dos rios, que se transformando num guapo rapaz, todo vestido de branco e portando um chapéu - para esconder o furo no alto da cabeça, por onde respira - percorre as vilas e povoados ribeirinhos, freqüenta as festas e seduz as moças, quase sempre as engravidando. Há, inclusive, estórias em que a moça é fecundada durante o sono...

Para se livrarem da 'influência' do bicho, os caboclos vão buscar ajuda na magia, apelando para os curandeiros e pajés. O primeiro, com suas rezas e benzeduras exorciza a vítima, e o segundo 'chupa' o feto do ventre da infeliz. É esse Don Juan caboclo, o sedutor das matas, o pai de todos os filhos cuja paternidade é 'desconhecida', que deu origem a deliciosa expressão regionalista: 'Foi o boto, sinhá!'"

- Boto Vermelho (Inia geoffrensis)

A maioria dos especialistas defende a tese de que os seus ancestrais penetraram na Bacia Amazônica pelo Pacífico nos tempos da Pangea. Hoje sua distribuição se verifica na maioria dos rios do norte da América do Sul, em uma área de 5 milhões de km².

Os machos chegam a atingir 2,55 metros e pesar 185 quilos, enquanto as fêmeas 2,15 metros e 150 quilos. Diferente de seus parceiros marinhos possui um corpo robusto; em contrapartida, por não possuir as vértebras cervicais fusionadas, é capaz de movimentar a cabeça em todas as direções, possuindo também uma flexibilidade muito grande que lhe permite manobrar, com facilidade, entre as raízes e galhos dos igapós.

O nascimento, na Amazônia Brasileira, após um período de gestação de aproximadamente 11 meses, ocorre no período da vazante, agosto e setembro, quando há abundância de peixes. Os filhotes nascem sem dentes, com uma média de 90 cm e 13 quilos, e são amamentados durante mais de dois anos.

O boto é um exímio nadador e sua velocidade de deslocamento normal é de 1,5 a 3,2 km/h chegando em alguns casos a atingir de 14 a 22 km/h. Por mais de uma vez fomos acompanhados por estes animais magníficos e medimos velocidades que variaram de 12 a 15 km/h. O boto é um animal predominantemente solitário, anda aos pares e mais raramente em grupos de mais de dois indivíduos.

- Tucuxi (Sotalia fluviatilis)

Com o nome vulgar herdado dos índios Mayanas (tucuchi-una), o tucuxi é uma miniatura do golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) com um comprimento médio de 1,46 cm e peso médio de 50 quilos. O tucuxi é endêmico da bacia Amazônica e sua distribuição é limitada, ao contrário dos botos, pelas corredeiras de alguns dos principais afluentes do Amazonas, como o Negro (cachoeira de São Gabriel), o Madeira (cachoeira Teotônio) e o Xingú (cachoeira de Belo Monte).

O nascimento ocorre após um período de gestação de aproximadamente 10 meses, no período da vazante na Amazônia Central, entre outubro e novembro, e os filhotes nascem com uma média de 77 cm e 11 quilos.

- Associações

Embora não interajam de forma direta, os grupos se aproximam, em decorrência da busca por alimentos.  Foram observados grupos de tucuxis repelindo botos e, também, um tucuxi adulto brincando com um filhote de boto. Muitas vezes, tucuxis e gaivotas se alimentam na mesma região, embora não haja competição entre eles, já que as gaivotas comem peixes bem menores.

- Rio-Mar e os golfinhos

Nossas experiências com os golfinhos na descida do Solimões foram marcantes. Eles sempre apareceram para nos encantar, sinalizar ou apontar o local mais adequado que deveríamos seguir. Apesar de termos nossa malhadeira (rede) 'roubada' por um boto nas proximidades do flutuante Cauaçú, guardaremos com carinho a visão destes mamíferos aquáticos que tantas lendas despertam no imaginário popular dos ribeirinhos da Amazônia.

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TARAPOTO CIUDAD AMAZÓNICA


Tarapoto, fundada en 1782 por Baltazar Martínez Jiménez de Compañón, está rodeada de impresionantes atractivos turísticos. 
Desde Rio de Janeiro-Brasil.

El departamento de San Martín, en la selva alta del nororiente peruano, es un colorido rincón de insólitos paisajes y grandes contrastes, que ofrece al visitante una aventura sin límites en bosques, lagunas, cataratas de ensueño y ríos de vértigo.
La historia del departamento de San Martín evidencia la lucha del hombre contra una agreste geografía. Hace cientos de años los habitantes de esta zona edificaron ciudadelas incomparables, como el Gran Pajatén (ubicado en el Parque Nacional del Río Abiseo), considerado el conjunto monumental más grande y de diseño arquitectónico más audaz del Perú.
 
Creado el 14 de setiembre de 1,906, el departamento de San Martín tiene enTarapoto su eje turístico y comercial. La ciudad se encuentra en los valles de los río Cumbaza y Shilcayo y es el centro de las redes terrestres y aéreas entre la sierra, la costa y el oriente peruano.
 
Tarapoto, fundada en 1782 por Baltazar Martínez Jiménez de Compañón, está rodeada de impresionantes atractivos turísticos. El balneario de Cumbaza, los restos arqueológicos y petroglifos de Polish, con motivos de plantas y animales, las cataratas de Ahuashiyacu y la laguna Venecia, son sólo algunos de sus mágicos parajes.
 
En la llamada "Ciudad de las Palmeras", se inician los circuitos que permiten descubrir Moyobamba, capital del departamento enclavada en el Valle del Alto Mayo o Valle de las Orquídeas, la provincia de Lamas, un pueblo que conserva tradiciones inmemoriales; y la laguna Azul y el lago Lindo, espejos de agua de singular belleza.
 
Por su estratégica ubicación, desarrollo económico y turístico, Tarapoto es también la puerta de acceso a la ciudad fortificada de Kuelap, en el departamento de Amazonas, una enorme fortaleza de piedra de 584 metros de largo y 110 de ancho, construida sobre la cima de una montaña.
 

Reserva no Amazonas registra nascimento de 381 mil tartarugas


Operação Pró-Quelônios acompanhou dia e noite a eclosão dos ovos. 
Veja álbum de fotos das tartarugas na reserva de Abufari.

Na reserva amazonense de Abufari, desde que as tartarugas descem dos pequenos igapós para colocar seus ovos até o momento do nascimento dos filhotes, fiscais do Instituto Chico Mendes (ICMBio) acompanham dia e noite a trajetória dos animais. Nesta temporada de trabalho, que começou em julho do ano passado e termina neste mês, foram registrados 381 mil nascimentos de tartarugas – 49 mil a mais que os 332 mil verificados na temporada passada.

A “maternidade” de tartarugas faz parte da operação Pró-Quelônios, que além de acompanhar o nascimento dos répteis também fiscaliza a caça. Em Abufari, desde julho já foram aplicados mais de R$ 1,5 milhão em multas e libertadas mais de 800 tartarugas. 


“O último filhote saiu do ninho em três de dezembro. Desde então, o trabalho ficou voltado para a fiscalização nos rios, pois durante as festas de final de ano é que ocorrem a maior procura pelos quelônios, que é o uns dos pratos principais nas ceias do interior do Amazonas”, explica Fernando Weber, chefe da reserva de Abufari.

Veja o álbum de fotos

Fonte: www.globoamazonia.com

domingo, 1 de fevereiro de 2009

No Fórum Social, Greenpeace usa barco para chamar atenção sobre clima


Embarcação dos ambientalistas já foi usada para caçar focas.
Grupo prega que desmatamento é ruim até para o agronegócio.

Um barco que já foi usado para caçar focas e hoje trabalha ao lado da preservação ambiental é a atração que o Greenpeace trouxe para o Fórum Social Mundial, em Belém (PA), que se encerra neste domingo (1º).

Ancorado na Estação das Docas na capital paraense, o barco Arctic Sunrise já recebeu milhares de visitantes e permitiu ao grupo ambientalista passar o seu recado sobre o aquecimento global e a necessidade da preservação da Amazônia.

 

De acordo com Marcio Astrini, ativista brasileiro do Greenpeace que acompanhou o G1 em um passeio pela embarcação, o Arctic Sunrise é um dos três navios DA frota da organização usado para realização de expedições e protestos no mundo.

 

O barco veio da África para o Brasil em janeiro, já passou pela cidade de Manaus, e, após o Fórum, seguirá ainda para Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Santos. 

 

A intenção do Greenpeace ao abrir as portas do barco é atrair visitantes para passar sua mensagem aos turistas. Com o Fórum acontecendo na Amazônia, o grupo aproveita para pregar a necessidade do “desmatamento zero” para a região. Um dos argumentos utilizados é até heterodoxo. Astrini destaca que o fim do desmatamento na Amazônia seria positivo até para o agronegócio.

 

“O Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa, e 75% das emissões brasileiras vêm do desmatamento de florestas. Isso é ruim até para o agronegócio porque influencia no regime de chuvas nas regiões do Centro-Sul, e sem chuva diminui a produtividade”, destaca o ativista.

 

Construído em 1975, o barco era usado para caçar focas e chegou a ser perseguido pelo Greenpeace. O destino, no entanto, acabou levando o navio quebra-gelo para as mãos da organização, que passou a usá-lo justamente para impedir a atividade predatória contra animais. 

 

Astrini explica que a embarcação é usada também em viagens sobre o gelo. Como tem casco ovalado, o navio consegue se mover em ambientes congelados quebrando o gelo e rompendo caminho.

 

São 13 tripulantes de diversos países no barco, que tem autonomia para até três meses em alto-mar. A estrutura permite até a realização de pequenas cirurgias, como de apendicite na própria embarcação e há um link que permite a transmissão de imagens feitas em qualquer parte do mundo em tempo real. Sem contar o heliponto, que dá mais mobilidade para a tripulação.

 

Com a presença do barco no Brasil, a esperança do Greenpeace é de que o governo brasileiro seja pressionado a tomar uma posição de liderança na conferência sobre aquecimento global que acontece em Copenhague, na Dinamarca.

 

Astrini afirma que o grupo defende o “desmatamento zero”, mas considera positiva a posição brasileira de fixar uma meta de redução de 70% desmatamento na Amazônia até 2020.

 

“As metas, pelo menos, nos permitem cobrar resultados. Se não tem meta é só papo-furado e promessa vazia. Por isso foi importante a posição brasileira de aceitar se submeter a um regime de metas”, diz o ativista.

 

Fonte : www.globoamazonia.com

Rio-Mar: Manacapuru/Iranduba



“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

Por Hiram Reis e Silva (Iranduba, AM, 25 de janeiro de 2009)

- ‘Inconstância Tumultuária’

Gostaríamos de voltar a tratar da dinâmica do Rio-Mar, fazendo menção a alguns tópicos do livro ‘Manacapuru e sua História’, do senhor ‘Josué Ferreira Ruis’ dono do Hotel ‘Boa Vida’ onde ficamos hospedados em Manacapuru e tivemos o privilégio de conhecer.

Ilha de Manacapuru: ficava em frente à cidade e desapareceu, totalmente, na década de 60. Vinte anos depois o rio iniciou sua reconstrução com uma grande praia e hoje é conhecida pelo nome de Ilha de Santo Antônio.

Ilha de Pirapitinga: situava-se na foz do rio do mesmo nome e com o tempo foi levada pela força das águas.

Ilha da Conceição: localizava-se próxima à Colônia Bela Vista e em dois anos foi removida pelo rio-mar.

Ilha do Barroso: era uma grande ilha de mais ou menos 5 por 6 quilômetros e, na década de 50, por ocasião das vazantes, a distância entre a ilha e a costa de Bela Vista era tal que permitia que as lavadeiras de ambas as margens conversassem entre si enquanto lavavam as roupas.

- Ciclo da Juta e Malva

Na nossa estada em Manacapuru, tivemos a oportunidade de visitar as instalações da ‘Companhia Têxtil Castanhal’ que classifica e enfarda a juta recebida dos produtores para encaminhar, posteriormente, para industrialização. A gerente, senhora Patrícia, nos relatou alguns fatos interessantes que vamos procurar reproduzir. A Juta e a Malva são plantadas nas várzeas na época das vazantes e colhidas na época das cheias. A juta pode ser colhida após 3 meses de plantio e a malva depois de 4 meses o que permite duas safras ao ano.

Embora durante aproximadamente dez anos o ciclo da Juta e da Malva tenha coexistido com o da Borracha, foi com a queda do comércio da borracha, em 1957, que este ciclo ganhou força se tornando a principal economia da região de Manacapuru. Desde 1988, porém, que, sem políticas governamentais em nível federal e estadual adequadas, sua comercialização entrou em franco declínio.

A semente, antes entregue pela Companhia aos produtores cadastrados e que era paga pelo produtor com parte de sua produção, passou a ser feita pelo governo. A ‘bolsa semente’, como as demais bolsas governamentais, se presta à corrupção graças à falta de controle, permitindo que as sementes sejam vendidas por funcionários corruptos a atravessadores que repassam o produto aos ribeirinhos por preços aviltantes. Achamos que a criação de cooperativas com maquinário adequado para a retirada da fibra seria uma medida mais adequada que a ‘bolsa esmola semente’, permitindo não só um aumento significativo na produção, mas também na qualidade do produto. Em nível federal deveria ser sancionada uma lei que determinasse o emprego obrigatório de sacos de fibra vegetal na embalagem de determinadas sementes, assim como existe para o café exportado, que estaria muito mais de acordo com o desenvolvimento sustentável, diferentemente dos produtos que se encontra no mercado atual.

- Largada para Iranduba

Ligamos para o 190 e nossos amigos policiais prontamente nos atenderam e nos levaram até o ‘Paraíso D’Angelo’ onde estava o caiaque. Passamos bom tempo conversando com o mestre D’Angelo e retardamos a saída para não perder a oportunidade de ouvir nosso dileto e sábio amigo. Vamos sentir saudade do ‘homem de branco’ de Manacapuru que passeia pela sua propriedade com a serenidade de um ‘Anjo no Paraíso’. Partimos bem depois das 8 horas, sem pressa, já que o deslocamento era bastante curto. O Lago Miriti com suas águas tranqüilas e limpas nos encantou e dele partimos rumo a Iranduba. Depois de menos de 4 horas de navegação, sem paradas, enfrentando mau tempo durante boa parte do percurso chegamos ao flutuante do senhor Zé Cipó onde se encontrava o caiaque do Romeu. O Romeu estava me aguardando já há algum tempo, porque normalmente saio muito cedo, mas a companhia do mestre D’angelo me fez alterar a rotina.

- Iranduba

Os policiais já estavam alertados sobre todo o apoio a ser prestado e nos levaram à ‘Pousada Santa Rita’ administrado pela senhora Terezinha da Silva Cunha Crisóstomo. A limpeza das instalações e a cortesia de seus proprietários nos impressionaram muito favoravelmente e o fato de encontrarmos outra grande ‘coincidência’ na nossa viajem nos convenceu que o Grande Arquiteto vem trabalhando do nosso lado nos apontando o rumo a ser seguido. Mais uma coincidência Amazônica: a dona Terezinha é viúva do senhor José Silvestre do Nascimento e Souza, um dos maiores nomes da ‘Ciranda’ do estado do Amazonas, cujo nome já tinha sido mencionado em Manacapuru onde organizou a primeira Ciranda no Colégio Nossa Senhora de Nazaré. Fizemos contato com o Secretário do Turismo e Meio Ambiente para contatarmos elementos da prefeitura para nos mostrar a cidade e principalmente o sítio das ‘Terras Pretas Indígenas’. A Polícia Militar nos levou, depois do banho, até o ‘Restaurante Sertanejo do Paraíba’ onde já nos esperava o pessoal de Comunicação do município. O senhor José Raimundo, conhecido como ‘J. Rai’, nos fez um interessante relato sobre a história da cidade e, depois do almoço, acompanhados do senhor Levenilson Mendonça da Silva, o ‘lei’, fomos até o sítio onde estão fazendo as escavações arqueológicas.

O ‘Restaurante Sertanejo do Paraíba’ foi colocado, pela prefeitura, à nossa disposição e como fica afastado da cidade pedimos apoio da PM local para chegar até ele. Infelizmente, mais uma vez, a velocidade da internet local não permitiu que fizéssemos o upload das imagens que fizemos desde Anori. Entrevistamos o senhor José Raimundo, o ‘J. Rai’, que gravou um relato sobre a cidade e o senhor Levenilson sobre as ‘terras pretas indígenas’ de Iranduba.

 

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

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